Mojoceratops, o dinossauro sedutor

Mojoceratops, o dinossauro sedutor Pesquisador da Universidade de Yale descobre nova espécie pré-histórica e batiza o animal com gíria que homenageia capacidade de atrair fêmeas  

DivulgaçãoDesenho representando o crânio do Mojoceratops: pela figura pode-se ver o tamanho da “coroa” que lhe rendeu a fama de sedutor

“É possível fazer ciência e ainda assim se divertir um pouco”. A frase é do paleontólogo Nicholas Longrich, pesquisador do departamento de geologia e geofísica da Universidade de Yale, nos Estados Unidos, que tem causado polêmica no meio científico desde que batizou uma nova espécie de dinossauro com uma gíria em inglês – mojo – usada para se referir a alguém com grande poder de sedução.

Em uma de suas visitas ao porão do Museu de História Natural de Nova York, Nicholas se deparou com um fóssil de dinossauro que não conseguiu identificar. A ossada já estava devidamente catalogada, mas ela não se parecia muito com nenhum outro exemplar de sua espécie. Após algumas investigações, veio a novidade: tratava-se, de fato, de um dinossauro até então desconhecido, erroneamente catalogado pela instituição.

Até aqui, nada de divertido. Acontece que, como manda a tradição, cabia a Nicholas escolher o nome da nova espécie, e o cientista fez isso num lugar bastante incomum: uma mesa de bar. Ele percebeu que uma das características que diferenciam o animal é a presença de uma enorme “coroa” em formato de coração sobre a cabeça, semelhante àquela dos Triceratops. Acredita-se que uma das funções desse “adereço” era atrair as fêmeas. Baseado nisso, o paleontólogo criou, entre uma cerveja e outra, um nome inusitado para a nova espécie: “Mojoceratops”.

No entanto, o que nasceu como uma piada entre amigos acabou se tornando sério: o título brincalhão pegou e a espécie recém-descoberta foi batizada, oficialmente, de Mojoceratops perifania. Nicholas até encontrou uma boa explicação para o nome: segundo ele, mojo é um termo que, em certas culturas afro-americanas do início do século XX, nomeava feitiços ou talismãs de atração do sexo oposto. Mas já era tarde: a repercussão em cima do nome “curioso” foi enorme. “Parece que as pessoas gostaram bastante”, disse o cientista.

Tirando a parte divertida, a descoberta de Nicholas traz à tona equívocos cometidos pelos museus na catalogação das espécies de seus acervos, erros que são mais comuns do que se supõe. Para que se tenha ideia, o pesquisador contou que, durante os estudos que realizou sobre o fóssil do Mojoceratops, mais uma nova espécie foi descoberta após anos de classificação incorreta. De acordo com o paleontólogo, tudo caminha para que cada vez mais equívocos desse tipo sejam corrigidos.

Por fim, quando perguntado sobre a repercussão da descoberta do Mojoceratops na comunidade científica, Nicholas foi categórico: “Eu não ouvi muito a respeito. Provavelmente eles acham que eu sou louco”.

Fonte: Revista História viva – 20 de agosto de 2010

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Sobre Arnoni

Professor de História - Nosso Negócio é fazer história...
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