Livro de Peter Burke mostra Gilberto Freire nos debates de sua época

Gilberto Freyre (1900-1987) não é um estudioso de um livro só”, disse o historiador britânico Peter Burke. Para ele, as obras e diversas atividades intelectuais do pensador não devem ser reduzidas apenas a obra “Casa Grande e Senzala”, publicada em 1933. “Ele atuou como sociólogo, antropólogo, historiador, político e não se afugentou de responder aos debates de sua época”, complementa. Com essas afirmações o historiador abriu o Debate “Repensando os trópicos – um retrato intelectual de Gilberto Freyre”, promovido pelo Centro de Documentação e Memória da Unesp (Cedem) . O evento foi realizado na sede do centro, na Praça da Sé, em São Paulo, no dia 12 de agosto (quinta-feira).

O debate contou com a participação da cientista política Elide Rugai Bastos, professora da Unicamp, do doutorando em História Thiago Lima Nicodemo, pela USP, como debatedores, a coordenadora do Cedem Célia Reis Camargo, também professora da Faculdade de Filosofia e Ciências, câmpus de Marília, como mediadora. Burke e a historiadora brasileira Maria Lúcia Pallares-Burke apresentaram as motivações e as intenções de se fazer um livro sobre Freire. Eles escreveram a obra que deu o nome ao debate (Repensando os trópicos: um retrato intelectual de Gilberto Freyre, Editora Unesp, São Paulo – 2009, tradução de Fernanda Veríssimo).

Escrito originalmente em inglês, o livro pretende apresentar o intelectual brasileiro para o público europeu e norte-americano, que pouco ou nada conhece sobre ele, segundo Burke. Assim, os historiadores não só relatam o desenvolvimento cronológico de Freyre, como também por temas, como raça, culturalismo, sexo. “Mostramos também de forma crítica as posições controversas do pensador, como o apoio ao regime totalitário de Salazar (1889-1970), em Portugal, e ao golpe militar de 1964, no Brasil”, contou Maria Lúcia.

Para descrever essa trajetória, os pesquisadores se debruçaram por toda a obra de Freyre, desde livros, artigos publicados, cartas ou bilhetes, e até anotações nas páginas dos livros lidos por ele. “É muito difícil trabalhar a biografia deste intelectual que construiu uma auto-imagem e a propagou. Os autores conseguiram ir além e trazem um pensador com suas contradições”, avaliou Elide.

Fonte: Assessoria de Comunicação e Imprensa Unesp

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Sobre Arnoni

Professor de História - Nosso Negócio é fazer história...
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